quinta-feira, 10 de maio de 2012

Turbulência


Ruídos, balanços, sacudidas.
Está tudo bagunçado a volta: pessoas, situações e objetos.

Preparam-se armaduras, pára-quedas e até máscaras...
Toda proteção será inútil, físico ou emocionalmente será afetado.

Um abraço compreensivo e calmo talvez faça bastante diferença. Ou nenhuma.

O que fazer?
Preparar-se para o pior.

A recompensa virá na sequência!

domingo, 6 de maio de 2012

O tempo


As semanas são sempre iguais: 7 dias de 24 horas, 60 minutos por hora.
O aproveitamento do tempo pode mudar, transformar 24 horas em 30, talvez.
Você é quem faz o seu tempo!

Mas alguns dias insistem em ser maiores ou menores que outros, independente da sua disposição, estado de espírito ou clima.
Por quê?

E quando um fim-de-semana é grande, muito grande, com tamanho suficiente para deixar esperando a hora de dormir para iniciar o dia seguinte?

Será que ele não foi tão bom assim?

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Imagine


Olhar em volta:
Perceber cada detalhe. Encontrar cores no branco, objetos no vazio. Medir seus contrastes.
Nomear cada silêncio. Dar-lhe um som. Criar a sinfonia daquele momento, ouvi-la quando voltar a aquele lugar.
Sentir a própria pele:
Acariciar a outra mão. Apalpar os cabelos e perceber que estão macios e cheirosos.
Dispensar o outro por segundos, dias ou meses até reconhecer o lugar que tem.

Apreciar o vazio dando uma forma inusitada. O silêncio com um som inaudível. As cores do branco mais anil.

Você está preso?
Sua mente ainda não!

sábado, 21 de janeiro de 2012

Experimento

Ele mora em um lugar escuro e incomodo. Seus vizinhos eram traiçoeiros e mal cheirosos, não conseguia ter um vida tranquila. Almoço ou jantar, não tinha tempo pra isso.
Acordou um dia em meio a um ataque.
Correu mas não teve escapatória, foi capturado.

Quando chegou ao cativeiro, teve uma nova surpresa: ele era branco, limpo e muito confortável. Agradeceu por ter sido capturado.
Dali em diante seus dias foram ainda melhores, com refeições fartas, academia gratuita e acompanhamento diário de um médico. Nunca teria uma vida tão boa não fosse o atentado.
A cada 5 dias tomava vacinas e o contavam que era para seu bem, para sua saúde.

Meses depois, mais gordinho e com o pelo branco e sedoso, sentiu-se mal pela primeira vez.
Imaginou como se tivesse voltado os dias de agonia. Vomitava e não tinha forças para levantar. Seria o fim?
Já muito fraco ouviu seu sequestrador dizer: o experimento falhou.
Sem entender, agonizou até a morte.

"Pior que viver em um pesadelo, é acordar de um sonho bom e descobrir qual é a vida real."

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Gotas de Chuva

O som é inconfundível: chove lá fora.
Posso ouvir cada gota d"água que cai ao chão, conhecer sua história, por onde passou, que faces desejou molhar.
Imagino-as correndo o chão depois de seu longo percurso até ele e vislumbro um destino não tão agradável quanto gostaria.
Ela, que sonhou um dia fazer de milhares, felizes, acabará no esgoto.
Não muito diferente de tantos seres humano...

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Outro lugar

O corpo está quente e sente frio.
Um arrepio desce o pescoço, caminha pela espinha, atinge as extremidades do corpo com um leve tremer de mãos.
Hesita ao pensar em olhar pra trás e ver quem sopra. Não está esperando ninguém essa noite.
Sente novamente. Dessa vez ao ouvido:
-Desejo estar ao seu lado. Hoje. Sempre!
Fecha os olhos. Suspeita delirar. Acredita nisso.
Se transporta. Sonha com o carinho recíproco, um campo florido, briza no ar, beijos doces...
Levanta atônita. Leva a mão a testa.
Sorri. 
A febre lhe transportou para um momento melhor que aquele.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Quanto vale?

A partir de agora, cada palavra tem um preço: 
Quanto custa para ficar calado?
Ou para dizer orações vazias?
Quanto custa para dizer palavras doces?
E para ser amável?

Faça seu preço e divulgue.
proíba a compra fiado.

365 dias

Pulou sete ondas. Escreveu 10 desejos e 10 coisas que nunca mais irá fazer.
Mandou mensagens espontâneas, outras mecânicas, algumas até frias.
Desejou momentos bons a 30 homens, felicidade a 10, fortuna a 5, amor a apenas 1!


Prometeu várias mudanças. Criou metas e fez cronogramas. Jurou que cumpriria.
No primeiro dia, acordou revigorada. Sentia-se leve e forte, como se pudesse traspor barreiras sem o menor esforço.
No segundo, repensou algumas metas e já excluiu algumas.


6 dias se passaram e metade dos sonhos já foram cortados, na esperança de que apenas os mais relevantes se tornem reais.


Ao sétimo dia, irá descansar para recomeçar com alguma energia.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Esperar

A hora não passa e o vento começa a bater forte, e mais e mais forte.
O corpo estrala e as pernas já não querem mais ficar na mesma posição.
Quem transita te olha, te julga, te esnoba...
Você finge que não ligou, mas no fundo está péssimo.


Pensa em desaparecer e desistir de esperar;
Nem sempre o que você espera chegará, afinal.


Respira fundo e aguenta.
Promete que não vai ligar novamente. Tenta se distrair.
Às vezes funciona, às vezes não...
Ele chegou? Ainda não!

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Esse vício

Preciso de um doutor!
Dessa vez não se trata de dor, tão pouco coração partido: preciso me curar de um vício.
Já tentei de tudo e sozinho não consigo.
Me basta fechar os olhos para os desejos tomarem minha cabeça.


Preciso de um doutor!
Que me livre da tortura e prazer em querê-lo.
Que me medique, me drogue com um forte químico,
Algo que me impossibilite de sonhar com teu sorriso, cheirar teu perfume natural, querer teu poder a toda hora, tornando-o banal.


Doutor? 
Me ouvir chamar?
Pode me ajudar?


-Filha, o que fazer não há;
Sofre de amor e sofrimento mais prazeroso não irá encontrar!

sábado, 19 de novembro de 2011

Teu calor


O frio me manteve no sofá até a sua chegada.
Com você veio o calor e lábios cheios de carinho.
Um beijo seu era o que eu precisava.

Me sinto mais forte!
Não prometo me levantar, mas farei desse frio algo mais útil.
Só lamento ter que me despedir tão cedo.

Até logo!

Paredes


Elas eram as únicas acompanhantes fixas naquela tarde de sexta-feira.
Todos iam e vinham e eu ali a esperar algo que não sabia quando chegaria.
Senti falta de tantos e de tantas coisas e nada poderia ter além de uma agulha em minha veia a tentar me curar.
O vazio tomava meu estômago e já subia ao coração.

Saí de lá e nem as multidões me faziam sentir melhor, ao contrário, só piorava...
Aquele caminho nunca foi tão longo, tão lento, tão frio.
Na chegada nada de calor.
Apenas minha cama me acalentaria.

E o fez com maestria.
Hoje sou grato a ela.

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