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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Imagine


Olhar em volta:
Perceber cada detalhe. Encontrar cores no branco, objetos no vazio. Medir seus contrastes.
Nomear cada silêncio. Dar-lhe um som. Criar a sinfonia daquele momento, ouvi-la quando voltar a aquele lugar.
Sentir a própria pele:
Acariciar a outra mão. Apalpar os cabelos e perceber que estão macios e cheirosos.
Dispensar o outro por segundos, dias ou meses até reconhecer o lugar que tem.

Apreciar o vazio dando uma forma inusitada. O silêncio com um som inaudível. As cores do branco mais anil.

Você está preso?
Sua mente ainda não!

sábado, 21 de janeiro de 2012

Experimento

Ele mora em um lugar escuro e incomodo. Seus vizinhos eram traiçoeiros e mal cheirosos, não conseguia ter um vida tranquila. Almoço ou jantar, não tinha tempo pra isso.
Acordou um dia em meio a um ataque.
Correu mas não teve escapatória, foi capturado.

Quando chegou ao cativeiro, teve uma nova surpresa: ele era branco, limpo e muito confortável. Agradeceu por ter sido capturado.
Dali em diante seus dias foram ainda melhores, com refeições fartas, academia gratuita e acompanhamento diário de um médico. Nunca teria uma vida tão boa não fosse o atentado.
A cada 5 dias tomava vacinas e o contavam que era para seu bem, para sua saúde.

Meses depois, mais gordinho e com o pelo branco e sedoso, sentiu-se mal pela primeira vez.
Imaginou como se tivesse voltado os dias de agonia. Vomitava e não tinha forças para levantar. Seria o fim?
Já muito fraco ouviu seu sequestrador dizer: o experimento falhou.
Sem entender, agonizou até a morte.

"Pior que viver em um pesadelo, é acordar de um sonho bom e descobrir qual é a vida real."

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Outro lugar

O corpo está quente e sente frio.
Um arrepio desce o pescoço, caminha pela espinha, atinge as extremidades do corpo com um leve tremer de mãos.
Hesita ao pensar em olhar pra trás e ver quem sopra. Não está esperando ninguém essa noite.
Sente novamente. Dessa vez ao ouvido:
-Desejo estar ao seu lado. Hoje. Sempre!
Fecha os olhos. Suspeita delirar. Acredita nisso.
Se transporta. Sonha com o carinho recíproco, um campo florido, briza no ar, beijos doces...
Levanta atônita. Leva a mão a testa.
Sorri. 
A febre lhe transportou para um momento melhor que aquele.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Esse vício

Preciso de um doutor!
Dessa vez não se trata de dor, tão pouco coração partido: preciso me curar de um vício.
Já tentei de tudo e sozinho não consigo.
Me basta fechar os olhos para os desejos tomarem minha cabeça.


Preciso de um doutor!
Que me livre da tortura e prazer em querê-lo.
Que me medique, me drogue com um forte químico,
Algo que me impossibilite de sonhar com teu sorriso, cheirar teu perfume natural, querer teu poder a toda hora, tornando-o banal.


Doutor? 
Me ouvir chamar?
Pode me ajudar?


-Filha, o que fazer não há;
Sofre de amor e sofrimento mais prazeroso não irá encontrar!

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